Farsa


A vida nunca fora doce.
Mas continha o véu da mentira em minha face.
Assim como meu sentimento por pior que fossem.
Seria verdadeiro se ao menos uma pessoa acreditasse.

Vejo nuvens negras num céu opaco.
Não mais há arco-iris.
E o que um dia fora ilusão.
Outrora não mais existe.

Nunca acreditei em contos de fadas;
Mas eles me proporcionam imaginar o paraíso.
Nunca busquei o irreal.
Mas adoro sonhar com os pés no chão.

E numa luta constante.
Entre o bem e o mal.
Vence quem melhor blefar.

Inverno.


Vou deitar, mas não estou com vontade de dormir. Irei pensar, mas pensar não esta me fazendo bem. Irei então relaxar, não consigo nem me concentrar. Já não sei mais o que é certo fazer, já coloquei tudo a perder e não tem como voltar atrás. Estou inquieta, pensativa, agitada e de certa forma transtornada; são muitas coisas acontecendo de uma só vez e não me preparei o suficiente para os planos que não deram certo. Fui pega de surpresa e não sei como reagir. Num mundo onde só vence os melhores não estou me saido muito bem na disputa. Estou com medo, medo do que não consigo ver, mas posso sentir. Medo de um desconhecido que não preciso temer mas não tem como ignorá-lo. Uma presença que me assusta e me da calafrios constantes. Estou sempre sendo observada e de alguma forma julgada. Uma sombra em minha sombra que vai sugando minha energia enquanto caminho. E meu pensamento vai bem mais longe do que isso. Quando eu volto a realidade percebo que fui longe demais na imaginação e minhas mãos estão tremendo de frio. O único barulho que escuto é de meus dentes batendo contra o vento que gela minha alma enquanto tento me manter lúcida para não sair desta vida. Uma vida que faz pouco caso de mim, faz pouco caso das pessoas que nela estão. Qualquer movimento que eu faça é por ele percebido e eu percebo que ele me percebe. Mais uma vez uma nova loucura invade minha mente e transtorna meu pensamento para uma coisa fora do comum. Nada mais esta como de costume, já não ligo para o pão que deixei queimar por simples descuido, nem ao menos sinto seu gosto enquanto engulo sem fome vendo a tv que nem sei o que se passa. Será possível simplesmente existir sem ter uma vida de fato, será possível respirar sem nem ao menos lutar para sobreviver. Já não mais sei meu propósito no mundo, ja perdi o foco de onde meu olhar se encontra. Faz tempo que não sinto meu coração pulsar.

Quando A Loucura Acaba.


Não sei se ainda é amor. Pode ser que com o tempo tenha virado loucura. Que cegas, loucura que cegou minha alma, que fez de meus planos um rascunho sem solução, fez de minha vida uma história sem nexo. Uma vida sem vida. Quando o amor vira loucura não mais se pensa com a razão. Ainda não descobri o que acontece quando a loucura acaba. Quando tudo isso acabar, quando nada mais restar deste sonho encantador.
Não quero pensar. Não quero deixar de ser louca. Não quero parar de sonhar.
Cansei de fingir, cansei de fingir estar fingindo.
Isso é loucura. O mundo não é normal. Não vale a pena ser normal.
Acho que descobri o que acontece quando a loucura acaba. Um sentimento que nos toma por dentro e vai nos corroendo. Mas um dia acaba. Tudo acaba. Talvez o amor permaneça, aquele amor que tínhamos no começo. Amor sincero e duradouro. Amor verdadeiro.
Demora para a loucura acabar e seu fim não é percebido tão facilmente, os sintomas vão sumindo lentamente e dolorosamente. Sim, dolorosamente e torturante. Uma vez que se começa o rompimento não tem como voltar, pois não é uma decisão racional. Simplesmente acontece. Mas não por acaso, ele é causado. E é causado por circunstancias. São pequenos detalhes que vão fazer com que este sentimento se perca e suma de vez. É uma ligação não dada, é uma conversa mal resolvida ou um simples silêncio inacabado que grita em nossos ouvidos quando a noite chega e este silêncio insiste em gritar quando estamos sozinhos e se torna ensurdecedor conforme o tempo passa.
Neste momento a loucura está fraca, no seu final, pois você torna a pensar mais em você mesma do que no outro. Neste momento você decide viver mais para você. Começa a ter amor próprio. Neste momento você passa a ser amada pela pessoa mais importante. Você mesma.
E finalmente a loucura acaba e você enxerga o mundo, consegue se maravilhar com um simples sorriso de uma criança ou um gatinho brincando com o vento. Consegue enxergar a vida com a graça de uma criança mas com a experiência de um adulto.

Inconsequente.


Essa dor que eu transformo em poesia.
Poesia esta que um dia irei lembrar.
Lembrar de momentos dolosos.
Dolosos estes que me fizeram cantar.

Uma canção diferente, pois ninguém pode escutar.
Escutar meu coração batendo, num gesto de querer parar.
Parar de sofrer dessa maneira.
Maneira que não tem como escapar.

Escapar de um sentimento duvidoso.
Duvidosa eu me pego a pensar.
Pensar em uma coisa chamada amor.
Amor este que não mais me fara penar.

Penar de uma maneira inconsequente.
Inconsequente olhando para o mar.
O mar que leva minhas mágoas.
Que para todo sempre irão afundar.

Deserto.



Prometi parar de você escrever.
Com teu sangue, em minha pele.
Concordei comigo em não mais sofrer.
Por esta dor que por alguma razão, não mais me fere.

Cumprindo o impossível de esquecer.
Ouvindo cada pensamento que por ti se refere
Um sentimento que não consigo conter.
Um amor por você que me persegue.

Não mais ao meu ser, mentiste.
E o que um dia fora ilusão.
Outrora não mais existe.

Peregrinando num deserto triste.
Uma alma busca seu caminho na escuridão.
Trocando os passos diante de alguma razão.

Rima Pobre.


Meus poemas me submetem a um mundo paralelo
Onde eu brinco de criadora e construo minhas histórias.
Um lugar que chamo de paraíso.
Seria egoísta querer um mundo só para mim.
Mas não posso aceitar as regras que criastes.
Onde não se tem mais razão.
Onde se recusa um pão.
Uma politicagem hipócrita.
Vivendo a custa de um povo sem cultura.
Não posso aceitar esse jeito medíocre.
Esse falso sorriso. Esse abraço triste.
Não faço questão de conviver.
Com pessoas ao meu lado,
querendo meu poder.
Prefiro desse jeito morrer, 
Do que viver com a angustia no peito 
De um falso querer.
Deixar somente lembranças.
E levar comigo toda e qualquer esperança.