A Rosa.


Ela parou e suspirou.
Ajoelhou e se curvou.
Esperavas tanto por aquele momento.
Que nem as lágrimas em seus olhos notou.
Por um instante sorriu.
Mas este logo se dissipou.
Planejou tudo com perfeição.
Cada gesto sem a menor compaixão.
 Olhou para o céu buscando algo.
Mas o que encontrou foi apenas escuridão.
Dentre as melhores ela escolheu.
Aquela toda perfeita em seu apogeu.
Enfim no túmulo se deitou.
Túmulo de seu amado que a deixou.
Segurando a rosa e uma estaca no peito.
Não restou nenhuma prova.
De um crime perfeito.

De Noite


É a noite que o dia começa.
Quando o sol se põe.
Quando a janela se fecha.
O silêncio grita e conforta minha mente.
A solidão me sequestra.
É de noite que tudo começa.
Quando a lua se torna visível.
 De olhares estranhos me sinto liberta.
É de noite que os corpos se desejam.
É nessa hora que os amores pecam.
Nossos pensamentos se manifestam.
É de noite que a vida se encontra.
A noite os crimes acontecem.
Os sonhos infantis adormecem.
É de noite que as sombras se misturam.
A noite meu fantasma me persegue.
De noite o escuro permanece.

Voltei A Ser.


Eu fui tantas coisas.
Deixei de ser por opção ou decepção.
Não fui o que sou e não sou o que serei.
Numa noite de lua cheia, talvez eu me lembre.
Daquela pessoa que deixei escapar por medo de amar.
Talvez o brilho desta mesma lua me faça perceber.
Quem em algum momento eu poderei ser.
Poderei ser o que realmente desejar.
Ser uma pessoa da qual todos irão lembrar.
Voltei a ser o que nunca fui.
Comecei a provar um gosto diferente.
Um sabor eloquente.
Que faz de mim uma coisa irreconhecível por mim mesma.
E isso é o que me assusta, tortura e satisfaz.
Num futuro distante talvez.
Buscando alguma razão para viver.
Procurando não mais me decepcionar.
Correndo atrás de uma maneira de me conhecer.
Eu possa encontrar acalento e um lugar para morrer.

Espetáculo


As cortinas se fecham
E só restam as sombras da platéia.
Toda preparação para um espetáculo perfeito.
E tudo se acaba.
A platéia vai embora.
Os músicos vão embora.
Os coadjuvantes vão embora.
E ela fica.
Escondida atras da cortina.
Não querendo acreditar que esse é o fim de tudo.
Por mais um final ela teve que passar.
E mais um recomeço ela poderá criar.

Rascunho.



Quero as vezes sumir.
Não precisar pensar.
Não mais ter medo de agir.
Por um momento quero esquecer.
Quero me fazer sentir.
Conseguir enfim sorrir.
Quero por alguns instantes lembrar.
Quero te sentir.
Quero só estar.
Sem medo quero seguir.
Um rascunhos criar.
E a limpo uma poesia surgir.
Quero agora te abraçar.
Sempre te beijar
Eternamente te amar.

Anestesia.


Como numa canção de fundo em um filme de terror. - Silêncio!
Um dia você acorda e se depara com sua imagem em frente ao espelho que não encara há algum tempo e percebe que aquela pessoa nunca saiu dali.
Um dia você achou que tinha morrido, que estava num universo diferente onde as pessoas já não se importavam. Um dia você descobriu como é não sentir nada. Um certo dia, uma lágrima escorreu de seus olhos e essa mesma lágrima secou em meio a sua face. Você permaneceu por muito tempo neste dia. Foi o dia mais longo da sua vida.
Mas a noite sempre chega. E com ela você foi dormir. Abraçada pela suavidade e aconchego que é o silêncio. Você desejou não mais acordar, pois estava se sentido segura. Que tipo de pessoas são essas que não lhe deixam descansar, ter um momento de paz.
Mas o dia também chega. O sol nasce. E você teve que abrir os olhos. Teve que se tocar e sentir que teu corpo ainda está quente. É quando você se levanta, ainda meio atordoada, mas decide se levantar. E volta a se deparar com sua imagem em frente ao espelho. E percebe que aquela pessoa não morreu e essa mesma pessoa ainda pode sorrir. Um certo sorriso tímido. E você decide seguir em frente pois não tem mais nada a perder.
Sofrer não tira suas dores e nem a torna uma pessoa melhor. Nem tudo na vida é passageiro, mas os sentimentos anestesiam, a dor diminui com o tempo até só restar a lembrança.

Ninguém.

Para que falar.

Para que sentir, sorrir ou amar?

Ninguém se importa.

Ninguém demonstra se importar.

Quando o coração parar de bater.

Quando os olhos fecharem.

Fazendo a última lágrima escorrer.

Ninguém vai se lembrar.

Quando o último suspiro for dado.

No último instante irão desejar.

Desejar falar, sentir, sorrir e amar.

Reflexões de uma noite


De que adianta deitar e não querer dormir, virar de um lado para o outro. Cada vez que fecho os olhos em vez de sonhar me pego pensando mais e mais.
Um mundo novo se faz em minha mente posso até voar se quiser, mas estou acordada, sei que não é possível, então volto à realidade, volto ao meu quarto escuro, que escuro permanece. Escuro e sem vida, escuro e com uma vida, a minha vida. Que não vivo plenamente, mas vivo.
Faço coisas que eu gosto, mas não tudo o que eu gosto. Ninguém faz tudo o que gosta. Sempre temos que abandonar algo ou alguém ou várias pessoas. Eu abandonei, mas não por completo, não da pra abandonar alguém completamente, sobram sempre lembranças do nosso passado, pessoas que se foram, mas que permanecem em nosso pensamento em nosso coração.
Coração este que às vezes têm vontade própria e nos ridiculariza para nosso pensamento. Pensamento este que nos da à capacidade de julgar nossos atos, mas que sem querer – ou por querer mesmo – julgamos atos de pessoas alheias.
E cansada de pensar me levanto e tento refazer minha vida para ver onde e o que vou mudar. Não, nada, nada aqui também. Em tão pouco tempo de vida já vivi o bastante. Bastantes amores, amizades, bastantes paixões insignificantes e algumas decepções enlouquecentes. Mas se me perguntar o que faço de emocionante fico muda, muda como um disco, um disco que tem conteúdo, mas não tem como mostrá-lo sozinho.
E me pego a escrever, sim, o meu maior prazer, já que não tenho com quem conversar, o papel é meu mais fiel amigo, ele sabe guardar segredos se for bem guardado, ele sabe espalhar boatos se for bem divulgado e ele sabe apagar memórias se for bem rasgado. Ficaria a noite falando de meu amigo, mas preciso continuar. Não sei onde vou chegar, mas no mesmo lugar não quero ficar. Não sei o que vou encontrar, mas caminhando eu irei descobrir e talvez, me maravilhar.
Retorno ao meu primeiro pensamento, não, não consigo me lembrar, é tanta coisa que passa em mente, que não tem como recordar, não escrevo tão rápido a ponto de anotar as coisas que vem e vão, não tem como parar. Se um dia eu parar, creio eu que não vou gostar, minha ideias não vão se renovar, eu não vou imaginar, não mais vou me maravilhar e tristemente não mais vou criar.

Me Liberte.


Teu sangue escorrendo.
Pela minha garganta queimando.
Lembranças se dissolvendo.
Lágrimas de teus olhos brilhando.

Ouço teu grito pela última vez.
Mas tua imagem em minha mente permanece.
Sorrindo te dou adeus.
Que na vasta escuridão se esquece.

Como se não mais houvesse o amanhã.
Como se todo o sempre morresse.
Nenhuma sombra de remorso.
Nenhuma gota de compaixão comparesse.

O adeus fora dado.
De uma maneira fria e calculista.
Espero sinceramente que você morra.
E de uma vez por todas que eu desista.

Medo.


Sozinho em meio à multidão.
Um sentimento que não tem como explicar. 
Com um movimento sinto teu coração.
Num gesto de querer parar.
Hipnotizado para todo o sempre.
Minha face seus olhos encontraram.
Como se soubesse o instante seguinte.
Lágrimas de sangue eles derramaram.
Uma dor estonteante
Um ultimo suspiro e um sorriso paralisante.
E você não mais voltará.
Meu amor acabará
Você não mais viverá
Seu coração não mais irá bater.
E sua garganta irá gritar.
Gritar de um jeito ensurdecedor.
Mas ninguém escutará.
Novamente sozinho você ficara.
E quando o sentimento não mais quiser calar
A única coisa que você poderá fazer.
É morrer.

Morte Súbita


E ela percebe que o mundo não é perfeito.
Nos melhores de seus sonhos.
Nada de bom acontecia.
E mais um dia, ela não dormia.
E nada mais desde aquele momento, sentiria.
Algum dia ela soube que nada é pra sempre.
Neste dia ela desistiu.
Acabou com a esperança.
Destruiu pra sempre a confiança.
Foi quando ela adormeceu.
Seu coração não mais bateu.
Foi quando o sentimento se rompeu.
Num instante o mundo parou.
De seus olhos uma lágrima escorreu.
Um abraço ela reconheceu.
Um ser amado que ela deixou.
E num piscar de olhos. Ela morreu.

Presa.


Queria poder olhar para traz e não ver tanto sangue em meu passado.
Talvez o que eu esteja sentindo seja alguma forma de redenção, quem sabe um dia eu serei absolvida pelos meus pecados e as almas que eu expulsei da terra possam enfim me perdoar.
Algumas vezes enquanto observo minhas vítimas implorando salvação, começo a pensar na minha própria.
Já vi pessoas de joelho implorando por um perdão supremo ou as que gritam de dor sem saber que naquele momento ninguém pode escutá-las.
Força nenhuma pode salvar sua vida ou o quer que seja naquele momento.
A alma já é minha, o corpo já é meu.
Quando param de gritar eu sei que falta pouco, pois o silêncio os confortam enquanto esperam por um milagre.
Não aprendem que se tratando de mim, milagre nenhum os ajudará.
Suavemente levanto teu corpo do chão. Não gosto de teu sangue, apenas tua alma.
Então transformo o corpo em poeira e observo o vento dançar.
Escolho minhas vítimas como quem escolhe uma fruta, mas eu colho as podres.

Nossa Estrela


Quero sempre olhar para o céu
E ver nossa estrela brilhar.
Quero ter certeza do amanhã
Por que tenho certeza que ao seu lado é que quero estar.

Quero me encolher feito criança.
Para em teus braços ninar.
Olhar para cima procurando aconchego.
E teu olhar cor de mel encontrar.

Sentir tuas mãos acariciando no meu cabelo.
Aquele toque suave que só você consegue transpor.
Quero seu beijo suave.
Com sabor de amor.

Quero brincar com você todos os dias.
Ser eternos apaixonados.
Quero que sempre possamos contar um com o outro.
Para que no futuro nosso amor seja lembrado.